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sábado, 19 de setembro de 2020

Josman – Zagueiro saiu de Tarauacá para brilhar no futebol da capital

Quem assistiu as primeiras peladas do menino Josman de Paiva Neri, nas praias e ruas de Tarauacá-AC, no início da década de 1980, não teve dúvidas: ali estava uma grande promessa de craque. Dessa forma, por conta do ótimo trato com a bola, no início de 1986, aos 13 anos (ele nasceu no dia 4 de maio de 1972), ele ingressou na base do Londrina da sua cidade natal.

A promoção para o time principal do Londrina se deu logo depois de Josman completar 16 anos, em 1988. Foi promovido pelo seu pai, Zé Neri, que era o organizador do time. Um dia faltou um atleta e ele perguntou se Josman topava jogar. Josman topou e passou a figurar entre os titulares nos jogos seguintes, alternando funções como lateral, zagueiro e meio de campo.

O craque só foi se fixar como zagueiro em 1989, depois de um jogo entre o Londrina e o Curitiba, pelo campeonato municipal de Tarauacá. Ele foi eleito o melhor homem em campo nesse jogo. Uma posição que ele confirmou depois, em 1990, quando estreou na seleção da cidade, num jogo contra a seleção de Feijó. Uma prova de fogo na qual ele passou com méritos.

Depois do Londrina, ainda em Tarauacá, entre 1989 e 1991, Josman jogou, por Curitiba, Vasco da Gama e Cruzeiro. Até que, lá pelas tantas, a cidade ficou pequena para o futebol dele. E aí veio a mudança para a capital, atendendo a um convite do professor Gualter Craveiro, seu conterrâneo, para vestir a camisa do Juventus. Era o ingresso do craque no futebol profissional.

Vasco da Gama (Tarauacá) – 1990. Em pé, da esquerda para a direita: Pedro, Josman, Adir, Esperidião Júnior, Mamá e Ney. Agachados: Pinheiro, Zé Anão, Célio Acioly, Pelezinho, Mauricinho e Careca. Foto/Acervo Josman Neri.


Seleção de Tarauacá – 1991. Em pé, da esquerda para a direita: Zé do Jacer, Adi, Edmar, Deodato, Roberto Dinamite, Cleudo Rocha (prefeito), Josman, Lindomar Pires e Alípio. Agachados: Augusto, Neto Moura, Adécio, Sairo, Arife, Velho Lima e Zé Anão.Foto/Acervo Josman Neri.

Melhor zagueiro do campeonato de 1991

O Juventus não conquistou o título de 1991. Perdeu a decisão para o Atlético, ficando com o vice-campeonato. Mas Josman foi eleito pela crônica esportiva o melhor zagueiro da temporada. Tanto sucesso lhe valeu uma oportunidade para fazer testes no Santos-SP. O craque disse que se encheu de alegria e esperança de que se tornaria um jogador conhecido no país.

Juventus – 1991. Em pé, da esquerda para a direita: Klowsbey, Sandro Noronha, Marcelo Carioca, Josman, Rocha e Paulão. Agachados: Agachados: Ramon, Paulo Henrique, Ulisses, Marcelinho e Renisio. Foto/Acervo Sandro Andrade.

Josman, Roberto Dinamite, Velho Lima e Zé Anão, com a camisa da seleção de Tarauacá, em 1991. Foto/Acervo Josman Neri.

A realidade, porém, foi chocante. No clube santista havia jogadores de todo o Brasil. E por ser oriundo de um estado pequeno, a discriminação com ele foi muito grande. “Teve um dirigente que chegou pra mim e disse que o Santos era mesmo uma mãe, que agora andava trazendo jogador até do Acre, lugar que só tinha índio”, afirmou Josman. Aí ele fez o caminho de retorno.

De volta ao Acre, Josman jogou em 1992 pelo Rio Branco. Como ainda era muito jovem, acabou disputando partidas tanto no time de juniores quanto no profissional. Depois disso, ele passou pelos seguintes times, até encerrar a carreira, em 2010: Londrina, Verona, Cruzeiro, Tarauacá e Praia (todos de Tarauacá), Flamengo (Feijó) e Juventus (1994, 1995 e 1996).

Pode-se dizer que Josman foi um jogador extremamente vitorioso. Apesar de haver disputado apenas cinco campeonatos profissionais, ele conquistou três títulos: um pelo Rio Branco (1992) e dois pelo Juventus (1995 e 1996). Além disso, levou também pra casa o título dos juniores de 1992, pelo Rio Branco, e inúmeros no futebol amador do interior do Acre.

Juventus – 1995. Em pé, da esquerda para a direita: Josman, César, Railton, Ico, Delcir e Jorge Luís. Agachados: Douglas, Jamerson, Sairo, Ney e Loló. Foto/Acervo Sairo Santos.

Juventus – 1996. Em pé, da esquerda para a direita: Nego, Ico, Jorge Cubu, Hélio, Josman e Jorge Cubu. Agachados: Tinda, Sairo, Artemar, Adriano e Ney. Foto/Acervo Francisco Dandão.

Os caras mais difíceis de marcar

Josman elegeu cinco atacantes como os que mais trabalho lhe davam em campo: Venícius, Sairo, Dim, Ley e Gerson Meireles (este do futebol de Feijó). “Mas se eu tivesse de destacar um, entre esses cinco, eu escolheria o Venícius. Além de extremamente técnico, ele era rápido e se movimentava pra todos os lados. Um jogador imprevisível mesmo”, disse o ex-zagueiro.

Quanto a uma seleção de jogadores do seu tempo, Josman escalou o seguinte time: Klowsbey; Francisley, Josman, Paulão e Jorge Cubu; Hélio, Ulisses, Papelim e Paulo Henrique; Sairo e Venícius. Nos quesitos melhor técnico, dirigente e árbitro, ele destacou, respectivamente, Júlio D’Anzicourt, Roberto Chaar e José Ribamar. “Todos muito competentes!”.

Rio Branco (master) – 2015. Em pé, da esquerda para a direita: Marcos, Torres, Papelim, Ferleudo, Leitão, Tonho, Josman, Chicão e Paulo Roberto. Agachados: Ciro, Venícius, César, Neném, Francisco e Rocha. Foto/Acervo Josman Neri.

Zagueiro do tipo que não abria mão de ir ao ataque, Josman falou de dois gols inesquecíveis marcados por ele. O primeiro, de cabeça, jogando pela seleção de Tarauacá, contra a seleção de Cruzeiro do Sul. O outro, pelo Juventus, de pé esquerdo, num confronto contra o Atlético, aproveitando uma sobra de bola depois de um lance envolvendo o atacante parceiro Ivo.

Josman jogando pela AABB, em 2019. Foto/Acervo Josman Neri.

Formado em Educação Física, com especialização em Gestão Pública, Josman não se limita a usufruir as glórias do passado como jogador. Ao contrário disso, consta em seus planos de futuro contribuir para o crescimento do desporto da sua terra natal. “Sei que em Tarauacá tem muitos talentos. A gente só tem que identifica-los e apoiá-los”, concluiu o ex-craque.

Por Francisco Dandão
https://namarcadacal.com.br/

FEM reabre cadastro cultural para solicitação de renda emergencial

Após solicitação da classe artística e de alguns secretários de cultura, em especial dos municípios mais isolados, a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) decidiu reabrir o cadastro cultural da Lei Emergencial Aldir Blanc para os trabalhadores da cultura que perderam o prazo anterior.

As inscrições reabrirão na próxima quinta-feira, 17, e se estenderão até o dia 5 de outubro.

De acordo com o disposto no artigo 6° da Lei 14.017/2020 poderão fazer o cadastro as pessoas que se enquadrarem nos seguintes critérios:

a) terem atuado social ou profissionalmente nas áreas artística e cultural nos 24 meses imediatamente anteriores à data de publicação da Lei;
b) não terem emprego formal ativo;
c) não serem titulares de benefício previdenciário ou assistencial ou beneficiários do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, ressalvado o Programa Bolsa Família;
d) terem renda familiar mensal per capita de até meio salário-mínimo ou renda familiar mensal total de até 3 salários-mínimos, o que for maior;
e) não terem recebido, no ano de 2018, rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70;
f) não serem beneficiários do auxílio emergencial previsto na Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020.

O valor do recebimento da renda emergencial está limitado a 2 membros da mesma unidade familiar. A mulher provedora de família monoparental (que cria os filhos sozinha) receberá duas cotas da renda emergencial.

O presidente da FEM, Manoel Pedro de Souza, destacou que as limitações do interior foram preponderantes para que houvesse a reabertura do cadastro.

“Entendemos que o interior tem maior dificuldade de acesso se comparado à capital. Diante disso foi decidido pela Comissão que esse prazo será dilatado para que aqueles que não tiveram acesso por alguma dificuldade possam realizar o cadastro. Esse é o nosso papel: de ouvir, avaliar e ajudar os fazedores de cultura”, diz Manoel Pedro.

Os interessados poderão preencher o formulário disponível no portal da Fundação Elias Mansour, www.femcultura.ac.gov.br até às 23:59 do dia 5 de outubro.

agência/Acre

Tite convoca goleiro acreano para defender a seleção brasileira


Em coletiva de imprensa online nesta sexta, 17, o técnico da seleção brasileira masculina, Tite, convocou atletas para o início das Eliminatórias da Copa de 2022. A Seleção enfrenta a Bolívia na Arena Neo Química Corinthians, em São Paulo, dia 9 de outubro, e depois viaja ao Peru para enfrentar os donos da casa no dia 13, em Lima.

Entre os convocados está o goleiro acreano Weverton Pereira, titular do Palmeiras. Quem também foi convocado para ficar debaixo das traves foram Alisson (Liverpool), e Santos (Athletico-PR).
AS MUDANÇAS

Foram sete mudanças em relação à lista de março, que terminou cancelada pela suspensão dos jogos devido aos efeitos da pandemia de Covid-19 em todo o mundo. A grande novidade – e único estreante – é Gabriel Menino, convocado para a lateral direita. Entre as mudanças da lista de março – foram sete ao todo – e a divulgada hoje também estão:
Alisson, recuperado de lesão, e Santos. Na anterior, foram chamados, Ederson, do City, e Ivan, da Ponte.

Na defesa, convocou Rodrigo Caio e tirou da lista Eder Militão. Menino e Alex Telles na lateral, antes foram convocados Daniel Alves e Alex Sandro. Douglas Luiz voltou a ser lembrado. Antes, o nome de Tite foi Arthur.

No ataque, entrou Rodrygo. Saíram Gabriel Barbosa e Bruno Henrique.
Veja os nomes da nova lista:

Goleiros: Alisson (Liverpool), Santos (Athletico-PR) e Weverton (Palmeiras)

Laterais: Danilo (Juventus), Gabriel Menino (Palmeiras), Alex Telles (Porto) e Renan Lodi (Atlético de Madrid)

Zagueiros: Thiago Silva (Chelsea), Marquinhos (Paris Saint-Germain), Felipe (Atlético de Madrid) e Rodrigo Caio (Flamengo).

Lives de hoje: Wesley Safadão com Bruno e Marrone, Lucy Alves e mais shows para ver em casa


Bruno Gouveia e Carlos Coelho em um especial do Biquíni Cavadão também estão na programação de shows on-line deste sábado (19).

Wesley Safadão, Lucy Alves e Bruno Gouveia fazem live neste sábado (19) — Foto: Globo-Estevam Avellar / Globo-Fábio Rocha / Divulgação

Wesley Safadão se junta com a dupla Bruno e Marrone para uma live neste sábado (19). Além disso, Sheryl Crow traz a versão acústica do show que realizou na sexta-feira (18). A apresentação on-line da cantora é paga.

Chico César, Lucy Alves e Paulinho Boca de Cantor também fazem parte da programação de shows on-line do dia.

Veja a lista completa com horários das lives de hoje abaixo.



Sheryl Crow (cantora faz show acústico com venda de ingressos) - 14h - Link
Roby e Thiago – 16h – Link
Bruno Gouveia e Carlos Coelho – Especial 35 anos na estrada com Biquíni Cavadão – 16h30 - Link
Mel Semé (Playing For Change) – 17h – Link
Paulinho Boca de Cantor – 19h – Link
Chico César (Festival A Vida no Centro) – 19h – Link
Wesley Safadão, Bruno e Marrone – 20h - Link
Ivan Lins, Claudio Lins, Alfredo Lima, Celso Fonseca e outros (Festival #ZiriguidumemCasa) - 20h – Link
Lucy Alves (Festival Cultura em Casa) – 21h30 – Link
Banda Twister – 20h – Link
Teresa Cristina - 22h - Link

Auxílio emergencial: veja casos em que benefício será cortado e quem corre risco


Além do valor menor por parcela, de R$ 300, ampliação também criou regras mais duras que excluem beneficiários

Ampliação do auxílio tem novas regras que endurecem o pagamento do benefício

O governo federal publicou um decreto para regulamentar o auxílio emergencial residual, no valor de R$ 300 , que será pago continuando as políticas para reduzir o impacto da pandemia na economia brasileira. Os beneficiários terão direito a até quatro parcelas, mas o recebimento poderá ser menor, visto que elas serão pagas, uma por mês, somente até 31 de dezembro de 2020. Ou seja, quem começou a receber a ajuda de R$ 600 do auxílio emergencial a partir de maio não terá as quatro cotas extras com o novo valor.

O decreto informa, porém, que caso não seja possível verificar se a pessoa está apta a receber o auxílio emergencial residual por falta de informações fornecidas pelo Poder Público, as parcelas serão devidas de forma retroativa, ou seja, poderão ser pagas no ano que vem. O texto ainda determina que os recursos não sacados das poupanças sociais digitais abertas e não movimentadas no prazo de 260 dias retornem para a União, então, caso receba o auxílio, use o valor, seja para compras, pagamento de contas ou mesmo transferência para uma outra conta. O dinheiro parado no Caixa Tem retornará ao governo após o prazo legal de 260 dias.

O presidente da República, Jair Bolsonaro , garantiu no texto que mulheres provedoras de família monoparental, as chefes de família, continuarão recebendo duas cotas (agora o valor será de R$ 600, e não mais de R$ 1.200), que agora é o limite determinado para as famílias.

Além do corte do governo e a possibilidade de perder parte das novas parcelas, a ampliação do auxílio também limitou quem tem direito ao benefício. Foram criadas uma série de regras novas para endurecer o pagamento. Entenda quem será excluído das novas parcelas .

Mesmo após a aprovação, portanto, o direito ao benefício poderá ser suspenso, já que o decreto prevê reavaliações mensais das circunstâncias. No site consultaauxilio.dataprev.gov.br é possível conferir a situação de cada parcela e o motivo do bloqueio, caso ocorra.

Confira quem será excluído do auxílio residual segundo o decreto

I - tenha vínculo de emprego formal ativo adquirido após o recebimento do auxílio emergencial;
II - receba benefício previdenciário ou assistencial ou benefício do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, adquirido após o recebimento do auxílio emergencial, ressalvados os benefícios do Programa Bolsa Família;
III - aufira renda familiar mensal per capita (por pessoa) acima de meio salário mínimo e renda familiar mensal total acima de três salários mínimos;
IV - seja residente no exterior;
V - tenha recebido, no ano de 2019, rendimentos tributáveis (Imposto de Renda) acima de R$ 28.559,70;
VI - tinha, em 31 de dezembro de 2019, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, incluída a terra nua, de valor total superior a R$ 300.000;
VII - tenha recebido, no ano de 2019, rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 40.000;
VIII - tenha sido incluído, no ano de 2019, como dependente de declarante do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física como cônjuge, companheiro com o qual o contribuinte tenha filho ou com o qual conviva há mais de cinco anos ou filho ou enteado com menos de 21 anos de idade ou com menos de 24 anos de idade que esteja matriculado em estabelecimento de ensino superior ou de ensino técnico de nível médio;
IX - esteja preso em regime fechado;
X - tenha menos de 18 anos de idade, exceto no caso de mães adolescentes; ou
XI - possua indicativo de óbito nas bases de dados do Governo federal.

Não estão impedidos de receber o auxílio emergencial residual, por outro lado, estagiários, residentes médicos e multiprofissionais, beneficiários de bolsa de estudos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes, de assistência estudantil, do Fundo de Financiamento Estudantil - Fies e de benefícios análogos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Movimento "todos por Tarauacá" emcabecado por Chagas Batista, realiza sua convenção nesta terça-feira(15).


 

A informação essencial que falta nas vacinas para Covid-19, segundo especialista


A virologista e veterinária italiana Ilaria Capua alerta que, sobre candidatas a vacinas, 'qualquer discurso é prematuro'.

Getty ImagesAlém de eficiente, uma vacina contra o coronavírus precisa ser duradoura, diz Ilaria Capua

Apesar de o mundo inteiro aguardar ansiosamente a vacina contra o coronavírus, a todas as candidatas atualmente patenteadas e em testes falta uma informação fundamental que assegura a eficiência do tratamento. Em nenhum dos casos é ainda possível saber a duração da imunidade no corpo humano, isso porque, como a doença é muito recente, não se pode analisar os efeitos de proteção ao longo do tempo.

É o que afirma a virologista e veterinária italiana Ilaria Capua, atual diretora do One Health Center of Excellence, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Capua ficou famosa, em 2006, por ter isolado o vírus da gripe aviária e ter tornado o código de domínio público. Hoje, ela é uma das principais referências na Itália no debate sobre a covid-19 , tema do seu último livro Il Dopo. Il vírus che ci ha costretto a cambiare mappa mentale ("O Depois. O vírus que nos obrigou a mudar o mapa mental", em tradução livre), ainda sem previsão de publicação no Brasil.

"Você faria uma vacina que dura um mês e que precisa ser tomada a cada mês? Certamente não. Digamos que o vírus começou a nos atingir de forma clara em março. Trabalharam dois meses para fazer a vacina e chegamos a maio. Inoculamos nos pacientes em junho, julho, e se passaram dois meses, ou seja, não se sabe quanto dura a imunidade. Até agora, o que dizem é que dura dois meses. Se durará quatro, se durará seis ou se durará um ano, isso ainda não sabemos. Portanto, me parece, que qualquer discurso é prematuro", afirma.

Segundo a virologista, a duração da imunidade é importantíssima também por uma questão de custos. Como será necessário vacinar uma grande parcela da população mundial, a vacina não poderá ser excessivamente cara. Por isso, além de eficiente, precisa ser duradoura.
Falta de vacina não é único problema

Embora a vacina seja uma das principais preocupações dos cientistas hoje, para Capua, a pandemia impõe muitos outros temas que precisam ser discutidos e resolvidos.

"O que deveria fazer parte do debate público neste momento é o que faremos da próxima vez para evitar um caos deste tipo. Temos um plano? É preciso trabalhar as cidades. O que aconteceu em Milão não foi a mesma coisa que ocorreu em Roma, em Assis ou Perúgia. Em Nova York ocorreu algo diverso de Tallahassee, diferente ainda de Houston. É preciso procurar entender quais são as fragilidades, não somente do vírus, mas da nossa organização. Porque estamos batendo a cabeça contra as características do vírus, que são importantes, mas o vírus faz o (papel de) vírus, a pandemia é feita por nós. A pandemia são as pessoas levando o vírus 'para passear', não se comportando bem e insistindo em viver do modo que vivíamos antes."
Divulgação'Podem nos dizer tudo, menos que não avisamos', diz Capua sobre a perspectiva de uma pandemia como a atual

Ela também acredita que é necessário melhorar a eficiência da comunicação entre o mundo científico, governos e sociedade.

"Há 30 anos, trabalho neste campo e, como eu, várias outras pessoas. Podem nos dizer tudo, menos que não avisamos. Em 2010, falei sobre a chegada de uma pandemia em um TED em Como (cidade ao norte da Itália). E não foi só Ilaria Capua que falou sobre isso. Bill Gates falou, e ninguém ligou. Então, é claro que é preciso tornar essa comunicação eficiente, fazer um trabalho melhor."

Questionada sobre se a demora da China em avisar o mundo sobre o vírus também teria sido um problema de comunicação que teria ajudado à pandemia, ela argumenta: "Não me permito criticar as autoridades chinesas porque entender o que estava acontecendo em um país tão grande, com 1,4 bilhão de habitantes, onde a desigualdade é assustadora e, ainda por cima, tendo a recordação da Sars... Na época da Sars (2002-2003), quando os chineses anunciaram a doença, erraram o vírus, disseram que era causada por um paramyxovirus e fizeram um papelão. Então, melhor que dizer uma coisa pela outra, talvez desta vez tenham esperado uma semana a mais."

Capua também não critica o papel da Organização Mundial da Saúde (OMS) no início da condução da crise.

"Dizem que a OMS seria ligada a China. Eu acredito que o mesmo problema teria ocorrido (se o vírus tivesse se manifestado primeiro) na Itália ou em qualquer outro lugar. Seriam necessários meses para entender o que estava acontecendo. Mas posso dizer que o fato de os Estados Unidos quererem se desfiliar da OMS, com certeza, não ajuda no balanço geral."

Para a virologista, o papel de uma instituição supranacional como a OMS na coordenação de ações internacionais durante uma pandemia é fundamental, mas a instituição efetivamente precisa ser repensada porque, ao longo da crise, teria demonstrado algumas fragilidades.
'Pandemia não é meteoro'
Getty ImagesTragédia da covid-19 seria ainda pior se o Sars-Cov-2 fosse mais agressivo, diz virologista italiana

O debate sobre os temas é urgente e necessário porque, como Capua e vários outros cientistas em todo o mundo afirmam, ocorrerão outras pandemias no futuro.

"As pandemias acontecem, não são como o meteoro que acabou com os dinossauros. Durante o século passado, de 1900 a 1999, ocorreram quatro pandemias. No início deste século, apareceram cinco ou seis vírus potencialmente pandêmicos. Uns circularam, mas pararam — como a SARS, a zika, a gripe aviária —, e outros não pararam, como a covid-19 e a gripe suína. O grande problema desta pandemia é que ninguém tinha um grama de imunidade, enquanto em outras pandemias havia um pouco de imunidade cruzada de outros vírus que passaram antes."

A cientista afirma ainda que, embora as perdas registradas até o momento já tenham transformado a covid-19 em uma enorme tragédia, a situação poderia ser ainda pior. Apesar de o Sars-Cov-2 ser um vírus totalmente novo no ser humano, ele não está entre os mais agressivos. "Digamos assim: se no lugar da covid-19, tivesse sido a vez da espanhola, sem uma vacina, estaríamos muito pior do que estamos agora."

Sobre o aumento no número de contágios na Europa, a virologista diz ter esperança de que não ocorra uma verdadeira segunda onda.

"Se falamos daquilo que eu entendo por segunda onda, quer dizer uma volta dos casos clínicos graves que requerem internamento em UTI, eu sou otimista. Antes de tudo porque existem muito mais leitos de UTI agora. Segundo porque as pessoas idosas e as pessoas de grupo de risco entenderam a situação e estão mais atentas. Mas certamente haverá focos de disseminação da doença."
DivulgaçãoCapua se diz otimista sobre 'segunda onda' de covid-19 na Europa

Já no caso do Brasil e dos Estados Unidos, ela não fala em segunda onda.

"Para existir uma nova onda se pressupõe que tenha ocorrido uma freada nos contágios e, nesses dois países, isso não ocorreu. O presidente do Brasil e o dos Estados Unidos decidiram que não precisava fazer nada e, então, o vírus fez o que o vírus faz."
Cisne negro

Outro problema que a difusão do coronavírus teria deixado claro, segundo Capua, é a relação predatória do homem com a natureza e o quanto ela pode ser nociva à própria humanidade, já que a SARS-Cov-2 é uma zoonose que teria saltado entre espécies de mamíferos até chegar ao homem devido ao contato invasivo com a fauna selvagem. Mesmo assim, a virologista italiana tem uma visão otimista do futuro, fato que revela no seu último livro quando rotula a pandemia de "cisne negro" (evento raro).

"A pandemia é cheia de energia destrutiva, mas também de energia regenerativa. Precisamos ser capazes de colher e transmitir essa energia positiva. Como existiam tantas coisas no mundo anterior que não gostávamos, podemos pensar em deixá-las para trás e tentar fazer as coisas em modo diverso. No meu campo de atividade, refiro-me a encontrar um equilíbrio entre saúde humana, saúde dos animais e saúde das plantas. Enfim, saúde do complexo ambiental."

Professores se transformam em “super-heróis” para levar conteúdos a escolas no interior da floresta


Super-Homem, Batgirl, Homem Aranha e até uma versão feminina do Robin estiveram nas escolas ribeirinhas Santa Fé e Nossa Senhora Auxiliadora, em Porto Acre, para garantir que seus mais de 640 alunos não fiquem sem estudar

Subindo os barrancos majestosos do rio Acre, que nesta época de verão lembram até falésias costeiras, de tão altos, um supertime de educadores impressiona mais pelos trajes que estão vestindo do que propriamente pela tarefa heroica a que se propuseram fazer: levar educação a moradores de um dos locais mais inóspitos da floresta, a comunidade ribeirinha do município de Porto Acre (a 80 quilômetros de Rio Branco), região que foi berço de batalhas épicas contra a Bolívia, comandadas pelo gaúcho José Plácido de Castro na sua bem-sucedida Revolução Acreana, a que nos deu origem.
Educadores de Porto Acre chegam à comunidade rural onde estão as escolas Santa Fé e Nossa Senhora Auxiliadora; esforço pela educação Foto: Mardilson Gomes/SEE

Em tempo de pandemia, a luta contra o coronavírus também é dos professores que compõem a rede pública de ensino rural da Secretaria de Estado de Educação e Cultura e Esportes (SEE), que, para atrair a atenção da meninada, não pensaram duas vezes em se vestir de heróis das revista em quadrinhos, e dos desenhos animados, para levar atividades escolares aos alunos das escolas rurais Santa Fé e Nossa Senhora Auxiliadora, a mais de duas horas de barco desde Porto Acre.
José Inácio de Souza, um dos estudantes da sétima série do ensino fundamental, com o pai, Senivaldo de Souza, posa para a foto com educadora trajada de Batgirl Foto: Mardilson Gomes/SEE

A ação aconteceu nesta semana que passou, e é uma forma recomendada pela SEE para que as comunidades rurais que não têm internet não fiquem com seus filhos sem aula por conta da pandemia, evitando também a perda do ano letivo de 2020.

Na escala dos super-heróis, ou melhor dizendo, na de professores heróis, estão Superman, Batman e Mulher Maravilha. Na retaguarda da força-tarefa da Educação figuram ainda Homem Aranha e duas Ladies Bugs. O Robin não pôde comparecer, talvez porque teve de cuidar da Batcaverna, mas enviou a sua companheira, a ‘Robina’. Neste grupo de super educadores também estão a Batgirl, a Supergirl e a Abelhinha. Bom, essa última aí não está nos gibis, mas está valendo também.
Estudante recebe o conteúdo ainda no barco, às margens do rio Acre, quando estava passando pela equipe no sentido contrário Foto: Mardilson Gomes/Secom

Segundo explica a diretora do Núcleo da SEE, Francileide de Souza, a missão de levar textos e exercícios aos estudantes das comunidades mais distantes evita que eles se dispersem dos estudos e comprometam o andamento dos trabalhos escolares, já duramente afetados pelos efeitos da infecção por Covid-19.
Garoto José Inácio de Souza, um dos estudantes da sétima série do ensino fundamental, com o pai, Senivaldo de Souza, no momento de assinar o recebimento das atividades Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Eles já estavam há algum tempo parados, sem estudar. E isso não pode acontecer. A injeção de ânimo hoje é essencial. E viemos assim como uma forma lúdica, para lembrá-los de que estudar pode ser também divertido, que eles podem despertar neles próprios o super-herói que está adormecido”, assevera a educadora.

A escola de Ensino Fundamental e Médio Santa Fé é a maior delas. Localizada a 18 quilômetros de ramal, e mais duas horas de barco da cidade de Porto Acre, hoje atende a cerca de 600 estudantes, a maioria filho de produtores agroextrativistas da Colocação Santa Tereza, onde no século 18 já foi um dos maiores seringais do estado. Mas a distância de deslocamento para muitos alunos de suas casas para a escola é um dos maiores desafios da região.
Trajada de super heróis, equipe da Educação em deslocamento pelo rio Acre para entregar conteúdo aos alunos mais distantes Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Temos alunos que caminham até oito quilômetros de ramal para chegar à beira do rio. Depois de pegar o barco, eles fazem ainda três horas e meia de viagem quando está no inverno, que o rio está cheio e a embarcação não encalha, para chegar aqui à Santa Fé”, explica Francisco Egídio Batista, formado em Letras e professor-titular da escola. Ele vive dentro da comunidade há pelo menos 31 anos. Na escola Nossa Senhora Auxiliadora, o número de alunos é bem menor. São cerca de 40, mas nem por isso considerada menos importante para a gestão escolar.
Educadores de Porto Acre chegam à comunidade rural onde estão as escolas Santa Fé e Nossa Senhora Auxiliadora; esforço pela Educação Foto: Mardilson Gomes/SEE
Cadê o menino? Foi caçar

José da Silva se embrenhou na mata, já fazia uma hora, depois da chegada dos educadores trazendo suas atividades do terceiro ano do ensino médio. O menino de 17 anos é conhecido por sua habilidade de abater cutias e porquinhos caititus. Ele não sabia que os educadores viriam, mas mesmo assim o conteúdo impresso foi entregue à mãe, dona Maria da Silva, para quando ele chegar.
Professores chegam à casa de José, que está para o mato caçando Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Se ele soubesse que você vinham ele tinha ficado em casa (sic), porque é um menino aplicado, menino bom nos estudos e um bom filho”, elogia a mãe.

Por 15 dias, José poderá consumir o material, com exercícios de todas as disciplinas. Após esse período, uma nova equipe de educadores voltará à sua casa para fazer as correções devidas e tirar as suas dúvidas, quando, então, ele também será avaliado.

Outro garoto, Víulian Morais de Souza, de 16 anos, está no segundo ano do ensino médio. Quando terminar os estudos no médio quer se formar em engenharia agronômica para não sair da comunidade depois de graduado. Afirma que quer ser parecido com um super-herói desses que foi visitá-lo. “Mas um herói rural, daqui da comunidade”.
Víulian de Souza recebe em casa os professores que levaram as atividades; por 15 dias, ele vai ler os conteúdos e fazer os exercícios Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Sabe, você só vê confusão e crime na cidade. Por aqui, graças a Deus, isso ainda não chegou. Espero que nunca chegue”, pontua o jovem.

Recebeu as apostilas acompanhado do pai, e em meio aos guardiões do ensino, com um sorriso de mistura de satisfação com nova responsabilidade. “Agora, por esse dias, já não vou poder mais brincar na pelada do campinho. Agora, é botar pra estudar”.
Elivaldo Moraes de Souza, produtor rural, diz que incentivo aos estudos é uma forma do filho procurar uma vida melhor do que dos pais Foto: Mardilson Gomes/SEE

Elivaldo Souza, o pai, o incentiva porque entende que “a roça e o cabo da enxada é pesado para quem não estudou”. “Eu nunca tive essa oportunidade do Víulian. Por toda a vida, trabalhei no sustento da família. Agora, quero que ele tenha uma vida mais tranquila”, observa o produtor rural.

agencia.ac.gov.br

domingo, 13 de setembro de 2020

MOVIMENTO TODOS POR TARAUACÁ: PCdoB, PT e PSB, REALIZAM REUNIÃO PARA PREPARAR CONVENÇÃO

A imagem pode conter: 1 pessoa, atividades ao ar livre

Movimento Todos por Tarauacá: PCdoB, PT e PSB, realizam reunião com a militância para mobilização da convenção que vai acontecer dia 15 de setembro.

A militância, entusiasmada, compareceu em peso. A convenção vai homologar o nome de Chagas Batista como candidato a prefeito, o candidato a vice prefeito e os candidatos a vereadores.

“Estamos trabalhando para construir uma Tarauacá melhor. E o Batista é o nome certo para conduzir esse processo político”, disse o deputado Jenilson Lopes.

Chagas Batista disse, que mesmo faltando um pouco mais de dois meses para eleição, aceitou o desafio porque não podia se omitir, diante do convite dos seus companheiros e frente realidade que a movimentação política impôs.

"Faremos uma batalha de Gedeão, com homens e mulheres de coragem. Nossa candidatura é para valer, é pra pra vencer” concluiu, sobre os aplausos da militância.

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sábado, 12 de setembro de 2020

Cadáver é roubado em funeral por causa de dívida


Funcionários de um necrotério da cidade de Tema, em Gana, roubaram um cadáver durante seu funeral, fugindo com o corpo. A motivação do rapto foi a falta de pagamento da família pelas vestimentas usadas pelo homem morto durante o velório, custando 150 cedis (aproximadamente R$ 104). Segundo o jornal ganês Citi Fm Online, o morto foi retirado violentamente de seu caixão enquanto se preparava para ser enterrado, deixando toda os familiares e amigos do homem não identificado em choque.

Um dos funcionários do necrotério fez uma declaração ao veículo, sob a condição de permanecer anônimo: “O coveiro que vestiu o corpo cobrou R$ 104 pelas vestimenta, mas a família decidiu fugir com o corpo após isso. Nós ficamos sabendo do incidente e nos irritamos, por isso, fizemos nossa ação no cemitério. Nosso plano era tirar o cadáver do caixão, em uma tentativa de levá-lo em segurança de volta ao necrotério, até que o dinheiro fosse pago”.

Os familiares e parentes conseguiram juntar o dinheiro no momento, com a ajuda de uma vaquinha dos presentes, e fizeram o pagamento aos funcionários, que aceitaram. O funeral continuou e o corpo foi enterrado sem demais problemas, nas horas seguintes. A ação foi registrada em vídeo.

Lei de proteção de dados: saiba o que pode ocorrer se militares assumirem gestão


Advogado Danilo Doneda explica importância da Lei Geral de Proteção de Dados e como o governo Bolsonaro tem lidado com a sua implementação - que pode, até mesmo, ter prerrogativas de cidadania desfiguradas se ficar sob a tutela militar

No último dia 26, o Senado contrariou o governo ao estabelecer que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) passou a valer em agosto de 2020 — a Presidência havia proposto que fosse adiada para maio de 2021. 

A Lei determina que os dados pessoais dos cidadãos brasileiros sejam tratados de forma segura tanto para o cidadão quanto para as empresas e foi inspirada em modelos internacionais . Ela garante, por exemplo, que você saiba o que acomete com seus dados quando você dá seu CPF na farmácia para comprar um remédio. 

Danilo Doneda, advogado da área de proteção de dados , considera a lei “um novo pacto da sociedade sobre como a gente vai tratar os dados”, uma forma de garantir que “os dados sejam utilizados, mas dentro de um espírito de lealdade”. O especialista é um dos nomeados para compor o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade, o órgão consultivo da Autoridade Nacional de Proteção de Dados ( ANPD ).

Porém, ele tem críticas à maneira como o governo está prevendo implementar a lei, como por exemplo o fato de que a ANPD está subordinado à Casa Civil, chefiada pelo general Walter Braga Netto. Para ele, os militares têm uma visão sobre dados mais voltada à cibersegurança do que à cidadania . “Proteção de dados é diferente, é uma lei que visa proteger o cidadão e ela não se resume à segurança. Além da informação segura você tem que dar os direitos do cidadão, transparência … Isso não faz parte do que eu tenho visto nos debates de proteção de dados quando militares vem falando do tema”, diz. Danilo Doneda é advogado e atua na área de proteção de dados

Qual a importância da LGPD para a proteção de dados pessoais no Brasil?

A importância da proteção da informação pessoal fica cada vez mais clara. As pessoas têm noção de que a partir dos próprios dados as empresas e o Estado podem saber sobre elas, sobre nós. E sabendo mais sobre nós eventualmente pode ser possível controlar as nossas vidas e alguns hábitos. Hoje em dia existem várias formas de restringir a liberdade e autonomia das pessoas através do uso não transparente dos dados: uma pessoa pode ser preterida em uma entrevista de emprego porque houve uma pesquisa nas coisas da sua vida que você não sabia, por exemplo. Ou, no futuro, podem negar que ela entre em um avião porque ela está em um banco de dados qualquer que a codifica erroneamente como de risco.

Por isso se faz necessário um novo pacto da sociedade sobre como a gente vai tratar os dados, porque os dados interessam para o Estado e para o mercado. Mas interessam também para as pessoas. As pessoas têm que ter noção mínima do que é feito com os próprios dados, têm que ter instrumentos de controle para evitar que sejam utilizados de uma forma que seja desleal , que as prejudique . 

A LGPD não é uma lei sobre segredo, sobre sigilo, é uma lei que está aí para ajudar que os dados sejam utilizados, mas dentro de um espírito de lealdade . 

A LGPD altera o cotidiano prático do cidadão? Como a lei protege o cidadão que usa seu CPF para fazer compras, por exemplo?

Há muitos ramos de comércio em que são solicitados dados para fazer compras, como farmácia, supermercados, programas de fidelidade… E as pessoas foram se acostumando a isso. Você não é levado a pensar o que significa você dar o teu CPF para a farmácia quando você compra um remédio para a pressão, por exemplo. Mas isso quer dizer várias coisas. 

Quer dizer que o laboratório vai saber qual médico receitou, e você não sabe se o plano de saúde ou uma agência de empregos acessa seu histórico de medicamentos. Imagina se uma pessoa que passou uma crise de depressão ou outra patologia se vê alijada do mercado de trabalho por conta de um algoritmo qualquer que teve acesso a aqueles dados? 

Com a LGPD a ideia não é que coisas como essa desapareçam, mas que elas consigam funcionar com um pouco mais de equilíbrio. Se você dá seus dados para a farmácia você tem que saber o que vai acontecer com aquela informação . 

Eu tenho que poder perguntar até para o farmacêutico: eu quero saber com quem você vai compartilhar esses dados e o que acontece se eu não fornecer. 

Com a LGPD então o cidadão pode saber para que os dados dele estão sendo usados?

Com a LGPD não é possível obter dados do cidadão sem que você tenha como explicar de uma forma clara como são usados, para que e por quem. Se alguém não consegue responder ele pode ser penalizado .

Qual é a importância da LGPD para a economia?

Hoje em dia a economia da informação é talvez o setor mais pujante do cenário internacional. Das cinco empresas que são as maiores do mundo, duas delas basicamente trabalham com dados pessoais: o Google, que é de busca e redes sociais, e outra que trabalha com varejo, mas usando intensamente dados pessoais, a Amazon. Outra fabrica produtos de informática, a Apple. 

Ou seja, o tratamento de informação pessoal virou a ala mestra da fatia mais dinâmica da economia internacional. Isso porque os dados pessoais apresentam essa importância imensa no sentido de aproximar mercados, pessoas, criar novas formas de produtos e serviços. 

A LGPD é muito importante porque ela protege a pessoa e a partir disso você conhece outro efeito, que é a regulação do mercado de tratamento de dados. Um efeito direto da LGPD para as empresas é fornecer segurança jurídica. É uma lei que proporciona condições para o fluxo de dados pessoais dentro de uma lealdade e de limites.

A LGPD poderia ter ajudado o Brasil a lidar com o uso de dados durante a pandemia? Como?

Obviamente. A LGPD não somente restringe potencialmente o uso de dados, em muitas situações ela é feita para facilitar o uso de dados quando você tem um bom motivo. Assim a lei facilita o uso de dados para fins de proteção da vida, tutela da saúde, pesquisa científica, pesquisa médica… 

No último dia 26 o Senado decidiu que a lei entraria em vigor ainda este ano, rejeitando a proposta da Presidência de adiamento para maio de 2021. Como você avalia essa decisão?

É claro que a gente está em um momento complicadíssimo para qualquer coisa. 

O Brasil entrou em recessão, qualquer empresa ou pessoa que tenha uma atividade que implique o tratamento de dados vai ter que se adequar mais a essa regulação, isso tem um custo , uma carga de trabalho. 

Por outro lado, o que aconteceu é que a gente já tinha entrado em um ciclo vicioso no qual o governo federal por duas vezes já tinha editado uma MP adiando a entrada em vigor da LGPD. Essa votação no Senado foi muito importante no sentido de dar um recado claro de que já tinha passado a hora do Brasil trabalhar com a perspectiva dessa lei. Sessão Deliberativa Remota (SDR) do Senado Federal que discutiu a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

O que ficou resolvido é que a lei vai entrar agora, mas as sanções só em agosto do ano que vem. Como você avalia essa saída?

Foi uma solução de compromisso porque os custos de adequação eram vistos como despropositados neste momento. Com a lei em vigor você vai ter as vantagens como segurança jurídica e direitos pré-definidos , mas sem as sanções.

A LGPD também prevê a existência de uma Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a ANPD, que deve ser criada no ano que vem. Qual é o papel dessa autoridade?

Desde que a lei começou a ser concebida se pensou na existência de uma autoridade pública para interpretar a lei e uniformizar o tratamento das sanções , porque é um tema com um grau de detalhamento técnico bastante elevado. 

É um tema que depende de como funcionam os sistemas técnicos complexos, os computadores, coisas que a gente não vê a olho nu. Então é sempre útil que haja um ente público que tenha o poder de pedir para as empresas relatórios de como elas estão tratando dados, e possa processar isso tecnicamente. 

Tanto isso é verdade que hoje em dia existem no mundo mais de 142 leis de proteção de dados de caráter geral; e dessas, mais de 110 têm sua própria autoridade. 

Pro Brasil ingressar na OCDE, que é o sonho desses últimos governos, você tem que ter, entre outros requisitos, uma Lei de Proteção de Dados e uma autoridade independente. E sem autoridade fica muito difícil o cidadão se orientar também. 

E quais são os problemas da LGPD entrar em vigor sem uma autoridade estruturada?

A LGPD tem vários pontos que dependem de regulamentos, especificação de detalhes, que somente a ANPD pode fazer, porque ela dá a palavra final técnica. A ANPD também tem uma função muito importante de uniformizar entendimentos que vão valer para o Brasil todo, então se um Tribunal for aplicar a LGPD aqui em São Paulo, outro em Brasília, outro no Acre e outro no Recife, cada um deles pode ter uma visão diferente. 

A autoridade teria o poder de fazer interpretações técnicas que seriam mais rápidas e facilmente uniformizadas no Brasil todo. Além disso, a autoridade é um ente para o qual o cidadão pode recorrer quando há um problema. 

Na proteção de dados você tem uma diferença de poder muito grande entre quem é dono dos dados , nós cidadãos, e quem trata os dados, então é necessário que haja alguma instituição, instrumentos que nos ajudem. 

O modelo de autoridade criada pelo Brasil é o adequado?

No padrão internacional, além de haver autoridade, ela deve ser uma autoridade autônoma e independente , uma autoridade que não esteja vinculada hierarquicamente a outros órgãos públicos. Isso não é o caso da ANPD. 

Da forma que foi criada, ela é subordinada hierarquicamente, é uma parte integrante da Presidência da República , e por isso mesmo alguns problemas podem acontecer. Se a autoridade for chamada a avaliar alguma situação referente a um órgão público o potencial de conflito de interesses acaba sendo bastante relevante. É um modelo que não é incentivado, não é nem sequer aceito.A Lei Geral de Proteção de Dados foi promulgada em 2018 pelo então presidente Michel Temer. Na foto, Temer discursa na cerimônia de sanção da LGPD, no Palácio do Planalto

Com a aprovação da LGPD, o governo acelerou a assinatura de um decreto para a criação da autoridade. Como você avalia esse decreto? 

Duas coisas me preocupam . A primeira é que ele não garante de forma alguma que você tenha a autoridade de fato, porque ela só passa a valer com as nomeações. 

E segundo é que ele literalmente estrangulou o órgão consultivo [da ANPD], que é o Conselho Nacional de Proteção de Dados. 

O conselho consultivo foi pensado como órgão representativo multisetorial, que pudesse trazer para dentro da estrutura da autoridade as discussões, as vozes, as opiniões da sociedade. A filosofia por trás dele é ter essa representatividade. Mas com o decreto não há meios para de fato garantir que isso ocorra. 

Tem três vagas para a sociedade civil, no sentido estrito, ONGs . Como vão ser escolhidas essas três representações? Quem vai escolher , pelo decreto, são os próprios diretores da autoridade, que por sua vez são escolhidos diretamente pelo Presidente da República. 

Se não tem nenhum mecanismo de eleição dentro de cada setor para favorecer que os próprios setores escolham efetivamente seus membros, você não tem nenhum critério para poder orientar. Esse é um ponto gravíssimo e se torna pior porque o decreto também especifica que o presidente do Conselho é sempre o diretor indicado pela Casa Civil.

Pode-se dizer que esse decreto indica uma aproximação da autoridade com a ala militar, pela relação com a Casa Civil, hoje comandada por um general?

Esse decreto induz a pensar que há uma aproximação formal inclusive com a ala militar, agora tudo isso há de se confirmar ou não se tiver uma preponderância ou uma determinada porcentagem de servidores e diretores militares. Mas formalmente as condições existem. 

Como você vê essa possível aproximação com a ala militar? 

O que acontece com a formação militar é que você não tem propriamente uma incompatibilidade com o tema. Mas quando pessoas com formação militar vem tratar do tema, a tendência é que se enxergue a proteção de dados no sentido de estratégias de defesa cibernética e segurança da informação . 


São aspectos técnicos, estratégicos, envolvem geopolítica, são todos muito importantes, mas eles não são propriamente proteção de dados. 

Proteção de dados é diferente, é uma lei que visa proteger o cidadão e ela não se resume à segurança. Além da informação segura você tem que dar os direitos do cidadão, transparência… Isso não faz parte do que eu tenho visto nos debates de proteção de dados quando militares vem falando do tema.